8. Os Índices
Com bastante freqüência, muitas pessoas julgam a saúde financeira de uma empresa utilizando um único índice: o índice de lucro por ação ou rentabilidade financeira. Esta é uma forma muito simples para avaliar uma empresa. É como se o médico julgasse a saúde de seus pacientes somente pela temperatura.
Cada índice ou subconjunto de índices contemplam um determinado aspecto da empresa. E esta deve ser analisada por todos os aspectos se pretendemos ter uma visão correta a respeito de sua saúde financeira. Mas isso não significa que devemos calcular um número excessivo de índices sobre informações contábeis que pouco representem a realidade e que ao final além de gerar excessivas informações, acabam confundindo o usuário.
Quando as informações contábeis efetivamente representam a realidade econômico-financeira da empresa, uns poucos índices são suficientes para se conhecer a situação financeira-patrimonial e julgar os resultados da gestão.
Os índices que vamos estudar são os seguintes:
- Índices de estrutura
- Índices de solvência
- Índices de liquidez
- Índices de rotação
- Índices de rentabilidade
- Índices de produtividade
- Índices de bolsa
« Voltar ao índice
8.1. Índices de Estrutura
São os índices que fazem referência à composição do Ativo (estrutura econômica) e do Passivo (estrutura financeira). A seguir apresentamos os dois índices de estrutura mais importantes.
Índice de imobilização = Imobilizado
Ativo Total
Tanto no numerador como no denominador, podemos utilizar valores brutos ou líquidos, ou seja, antes ou depois de deduzir o valor das depreciações e das contas redutoras.
O valor deste índice depende principalmente da natureza da atividade produtiva ou do setor da economia que a empresa pertence. Seu valor depende também do nível de tecnologia que a empresa em concreto esteja disposta a seguir.
Índice de endividamento = Capital de Terceiros ou Capital de Terceiros
Capital Próprio Passivo Total
Este índice nos proporciona uma idéia da composição do passivo ou da distribuição do mesmo entre recursos de terceiro e de capital próprio. Se utiliza também como indicador ou medida de risco financeiro, sendo uma variável básica na hora de determinar a estrutura financeira mais adequada para a empresa.
O valor destes índices dependem da política financeira mais ou menos agressiva que a empresa esteja disposta a adotar ou das características próprias do setor de atividade ao qual pertence a empresa. A conjuntura econômica também pode afetar a estrutura de capital, aumentando ou diminuindo a participação de capital de terceiros em épocas de dinheiro mais caro ou mais barato (juros).
O nível de endividamento medido por estes índices pode também ser chamado de grau de alavancagem financeira, já que as obrigações (capital de terceiros) exercem o efeito de uma alavanca sobre a rentabilidade dos capitais próprios sempre que a rentabilidade econômica ou rentabilidade dos Ativos da empresa for superior ao custo do capital de terceiros.
Outros índices de estrutura:
Índice de Valores disponíveis = Disponibilidade
Ativo Total
Índice de Valores realizáveis = Realizáveis
Ativo Total
Índice de Valores de Capital de Giro = Valores de Capital de Giro
Ativo Total
Índice de endividamento de curto prazo = Exigibilidade de curto prazo
Exigibilidade Total
Índice do Capital Próprio = Capital + Reservas
Passivo Total
Quanto maior for o grau de endividamento da empresa, maior será o risco financeiro, e em princípio, para um determinado endividamento, as estruturas financeiras com um peso maior para exigibilidades de curto prazo oferecem um risco mais elevado.
« Voltar ao índice
8.2. Índices de Solvência
Do ponto de vista econômico, uma empresa é solvente quando está em condições de fazer frente a suas obrigações corrente e ainda apresenta uma situação patrimonial e uma expectativa de lucros que garantam a sobrevivência desta no futuro.
Na estrutura econômico-financeira da empresa deve haver uma certa coerência entre a natureza dos investimentos e a origem dos recursos financeiros. A prudência e a lógica aconselham que os investimentos de longo prazo sejam financiados por capitais permanentes (capital + reservas + obrigações de médio e longo prazo). Nunca uma dívida de curto prazo deve financiar um bem imobilizado.
Os capitais permanentes não só devem financiar o Ativo fixo, mas também uma parte do circulante. A parte do Ativo Circulante financiada com capitais permanentes constitui o chamado Capital de Giro. O excesso de capital permanente sobre o Ativo Fixo, que é o capital de giro, constitui uma margem de garantia ou de segurança (solvência) financeira que permite compensar os desajustes entre os fluxos financeiros de entrada e saída provocados pelo ciclo operacional.
Grau de cobertura do Ativo real sobre o Passivo exigível = Ativo Total
Total de recursos de terceiros
Quanto maior seja este índice, maior será a solvência da empresa, o qual em todo caso, deverá ser superior a 1. Se o valor deste índice for inferior a 1, significa que a empresa está em uma situação de quebra técnica, o que não supõe que a entidade tenha que suspender os pagamentos, já que uma ótima gestão financeira pode atrasar o aparecimento de tal insolvência e inclusive pode até chegar a recuperar um patrimônio líquido positivo.
Índice de cobertura do capital próprio sobre o imobilizado = Capital + Reservas
Imobilizado
Um índice de 1 significa que o imobilizado está financiado totalmente por recursos próprios, e isto eleva a solidez financeira da empresa.
Índice de cobertura do capital permanente sobre o ativo permanente = Capital Permanente
Ativo Permanente Líquido
Quanto maior for o excesso do valor deste índice sobre 1, ou seja, quanto maior for o valor do capital de giro positivo, mais solvente será a empresa.
Taxa anual de depreciação = Depreciação anual
Ativo Permanente Bruto
Grau de depreciação = Depreciação acumulada
Ativo Permanente Bruto
« Voltar ao índice
8.3. Índices de Liquidez
Uma companhia é solvente a curto prazo quando é capaz de realizar os pagamentos que se originam com o ciclo operacional. O diagnóstico da solvência financeira a curto prazo ou liquidez da empresa deve estar apoiado na quantidade de capital de giro e nos índices de tesouraria que vamos estudar a seguir.
Índice de liquidez = Ativo Circulante
Passivo Circulante
Índice de liquidez seca = Disponibilidades + Realizáveis a curto prazo
Passivo Circulante
Um índice de liquidez seca ou índice de tesouraria igual a 0,5 não é alarmante quando a rotação dos estoques é elevada.
« Voltar ao índice
8.4. Índices de Rotação
Os índices de rotação nos permite conhecer o ritmo ou velocidade de transformação de certas massas patrimoniais ativas ou passivas. Quanto maior for o número de rotações destas massas patrimoniais, maior será a eficácia com que os executivos administram os capitais dos proprietários.
Giro de Clientes = Venda anual a prazo
Saldo médio de clientes
Giro de Estoques = Total de Vendas a preço de custo
Saldo médio do estoque
Giro de Fornecedores = Total de compras anual a prazo
Saldo médio de fornecedores
Giro do Ativo Circulante = Venda anual a preço de venda
Ativo Circulante médio
Giro do Imobilizado = Venda anual a preço de venda
Imobilizado médio
Giro do Ativo Total = Venda anual a preço de venda
Ativo Total Médio
Giro do Capital Próprio = Venda anual a preço de venda
Patrimônio Líquido
O aumento do número de giros e consequentemente a redução dos períodos médios das respectivas massas patrimoniais, significa uma melhor gestão, que implicará em um melhor resultado empresarial.
« Voltar ao índice
8.5. Índices de Rentabilidade
A rentabilidade econômica ou rentabilidade dos Ativos, mede a capacidade da empresa para retribuir os capitais investidos, sejam estes capitais próprios ou de terceiros.
Rentabilidade econômica = Lucro + Juros da dívida
Ativo Total
A rentabilidade financeira, mede a rentabilidade do capital próprio ou a rentabilidade dos acionistas, depois de deduzir o imposto de renda.
Rentabilidade Financeira = Lucro Líquido
Capital + Reservas
Outro índice utilizado na análise de rentabilidade é o que faz referência ao resultado das vendas ou margem comercial.
Margem Comercial = Vendas – Custo das vendas
Vendas
« Voltar ao índice
8.6. Índices de Produtividade
O conceito de produtividade está relacionado com o conceito de economia ou eficiência técnica. Podemos dizer que a produtividade constitui a relação entre os produtos resultantes e os produtos consumidos durante o processo de produção.
Economicidade = Custo Previsto
Custo Real
Economicidade = Produção Prevista
Produção Real
« Voltar ao índice
8.7. Índices de Bolsa
Rentabilidade de Bolsa = Lucro Líquido
Capitalização na Bolsa
Cash Flow por ação = Cash Flow = Lucro + Depreciações
Número de ações Número de Ações
Dividendo por ação = Dividendos
Número de ações
Coeficiente de distribuição ou pay-out ratio = Dividendos
Lucro Líquido
Índice preço-lucro ou price-earning-ratio (PER) = Valor na bolsa de uma ação
Lucro Líquido por ação